03/06/2008

Arte que se vê: "The Lost Room"


Não critico quem o faça, mas não sou de ver telenovelas, mesmo gostando de ver televisão. Vou descobrindo algumas séries, sobretudo anglo-saxónicas, que vou seguindo com atenção. Desespero somente quando, talvez em nomes das audiências, arrastam o enredo tornando a coisa num romance de cordel sem fim à vista. Infelizmente, são bastante as séries que sofrem um décrescimo de qualidade porque se sacrifica a qualidade do enredo em prol sabe-se lá do quê, na minha opinião.
Vi hoje uma mini série intitulada "The Lost Room", que se enquadra no género de ficção científica, que me prendeu a atenção do primeiro ao último minuto.


Sinopse
O personagem principal é um polícia, Joe Miller. Divorciado, tem uma filha chamada Anna, e encontra-se em batalha pela custódia da mesma com a ex-mulher. Vê-se envolvido numa enorme aventura, de contornos bizarros, quando uma chave de motel lhe vem parar às mãos. Esta chave é desejada por muitos, pois é um da quase centena de objectos com poderes especiais espalhados pelo mundo. Cada objecto tem poderes únicos, mas o que faz esta chave ser desejada por tantos é o facto de em qualquer porta que ela abra, vai dar ao misterioso quarto de motel de onde todos os objectos partiram, e sair do mesmo quarto para qualquer sítio que se visualize, desde que este tenha uma porta.
Possuir esta chave torna-se muito mais envolvente para Joe do que levar o seu parceiro a passear por formas mágicas, quando Anna, a sua filha, entra no quarto e fica lá fechada, desaparecendo para outra dimensão. Joe, faz da sua missão resgatar a sua filha, tentando para tal descortinar o mistério deste quarto de motel, dos vários objectos, ao mesmo tempo que se esconde da sua vida quotidiana, pois todos pensam que é culpado de vários crimes, inclusivé do desparecimento da sua filha e do homícidio do seu parceiro e amigo.
Ao longo da sua aventura, ele conhece várias personagens que possuem objectos deste género, algumas bem curiosas. Uns que estão dispostos a ajudá-lo na sua demanda, outros que querem compilar uma colecção de objectos para propósitos bem mais obscuros.


Veja o trailler: http://www.youtube.com/watch?v=lhAGrJW2Tos

Se tiver hipótese, veja esta mini-série, que na minha opinião vale mesmo a pena.

26/05/2008

Arte que se lê: "Os ensinamentos de D.Juan" de Carlos Castaneda


Há poucos dias comecei a ler este livro de Carlos Castaneda - "Os ensinamentos de D.Juan". Sou uma aficionada das várias temáticas que por facilidade se catalogam como "New Age". Já li muitos, mas era uma falha ainda não me ter deparado com uma das muitas obras de Carlos Castaneda, visto que este foi um dos precursores do próprio movimento New Age.


Este livro, também conhecido como "A Erva do Diabo", foi o primeiro deste autor.

"Este livro tem tanto de etnográfico como de alegórico. (...)

As entrevistas de Carlos Castaneda a D.Juan iniciaram-se quando ele ainda era aluno de Antropologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Estamos em dívida para com ele por causa da sua paciência, coragem e perspicácia em procurar e enfrentar o desafio da sua aprendizagem dual e em relatar-nos os pormenores das suas experiências. Nesta obra, demonstra a técnica essencial da boa etnografia - a capacidade de entrar num mundo estranho. Julgo que ele encontrou um caminho com coração"


Sobre o autor:

"Carlos Castaneda ou Carlos Aranha Castaneda (25 de dezembro de 1935 — 27 de abril de 1998) foi um escritor e antropólogo formado pela Universidade da Califórnia (UCLA); notabilizou-se após a publicação, em 1968, de sua dissertação de mestrado intitulada The Teachings of Don Juan - a Yaqui way of knowledge, lançado no Brasil como A Erva do Diabo.


Em 1973 revê os conceitos apresentados na primeira obra em uma versão de sua tese de Phd intitulada Journey to Ixtlan - Lessons of Don Juan (Viagem a Ixtlan). Sua obra consiste em onze livros autobiográficos no qual relata as supostas experiências decorrentes de sua associação com o brujo conhecido por Don Juan Matus, índio da tribo Yaqui do deserto de Sonora, no México. Um 12° livro chamado Magical Passes (Passes Mágicos) foi lançado, mas destoa do conjunto da obra, se aproximando mais de um manual prático de aplicação de exercícios corporais.

A Erva do Diabo se tornou um best-seller entre os jovens do movimento hippie e da contracultura, que rapidamente elegeram Castaneda um guru da nova era e formaram legiões de admiradores que queriam, por conta própria, reviver as experiências descritas no livro.

Uma controvérsia se formou em torno de sua figura tanto por parte de admiradores, que queriam encontrar Don Juan pessoalmente e de alguma forma fazer parte do processo de aprendizado, quanto de céticos, que queriam encontrar motivos para desacreditá-lo academicamente, argumentando que o testemunho fornecido em seus escritos era ficional e apontando a escassez de fontes documentais sobre sua pesquisa de campo junto ao mestre indígena.


Como relata em entrevista para Sam Keen, pensando em ir para o curso de antropologia, buscava a publicação de um paper para dar início à carreira acadêmica. Havia lido e escrito um pequeno ensaio sobre o livro de Aldous Huxley, As Portas da Percepção, que havia celebrizado no mundo ocidental os efeitos psicotrópicos da mescalina, alcalóide alucinógeno presente em grandes quantidades no botão do cacto de peiote, que era usado de forma ritual por vários povos indígenas americanos. Pesquisou o tema das plantas medicinais em livros como o de Weston La Barre, O ritual do peiote e partiu para o trabalho de campo. Foi então para o estado de Arizona, onde conheceu o índio brujo conhecido como Don Juan. Este viria a ser seu guia, e é personagem central nos livros autobiográficos que escreveu. O encontro com o índio foi um episódio marcante, que é recontado várias vezes na sua obra. Numa estação rodoviária, indicado por um colega da faculdade, Castaneda aproximou-se e apresentou-se como especialista em peiote, convidando o índio a lhe conceder entrevista. Como não sabia virtualmente nada a respeito do cacto, segundo relata, Don Juan teria captado sua mentira e devolvido-a com um olhar. Este olhar foi bastante significativo, pois Castaneda, normalmente um homem falante e extrovertido, ficou sem ação e tímido ao ser perscrutado. Nas explanações posteriores, diz que Don Juan o havia capturado com o olhar mostrando-lhe o nagual, pois havia visto que Castaneda poderia ser o homem que ele procurava para lhe passar seu conhecimento. Depois de mais alguns encontros, Don Juan lhe anuncia sua decisão e decide levá-lo a experimentar as plantas medicinais que Castaneda tanto pedia.


Aos poucos o jovem ocidental e acadêmico foi sendo posto ao encontro de experiências cognitivas que desafiavam o poder de explicação de sua razão, sendo forçado finalmente a mudar toda a sua concepção de mundo em prol das novas explicações que o mestre lhe fornecia e que ia compreendendo, gradualmente. Como explica no sexto livro, O Presente da Águia, o sistema de interpretações e crenças que se dispôs a estudar terminou por engalfinhá-lo, ao se revelar tão ou mais complexo que o sistema "ocidental" de interpretações do mundo. Este é um ponto chave da obra, antes inédito na antropologia e uma das fontes das acusações difamadoras que foi recebendo aos poucos. Pela primeira vez um estudioso e intelectual ocidental admitia a inoperância das suas ferramentas teóricas para classificar o objeto de estudo. O jovem ocidental viu-se forçado a admitir sua fraqueza e sua vida desordenada e vazia e um indígena aparecia como um "caçador e um guerreiro", dono de um propósito inabalável e capaz de manipular e influenciar profundamente sua percepção e visão de mundo.


leia o artigo na totalidade em http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Castaneda

Para visitar: III Encontro Alternativas em Sintra


É verdade que já há muito tempo que não actualizava este cantinho. Por diversos motivos, maiores e menores. Mas, hoje, caros e caras visitantes, venho redimir-me desta ausência com uma excelente proposta para o próximo fim de semana.


Por ser distraída quanto baste, só me apercebo de todo o género de iniciativas depois destas estarem concluídas. Mas, desta vez, por um feliz acaso, um dos panfletos deste evento veio-me parar às mãos, com a devida antecedência.

Sei que por questões geográficas muitos de vós não poderão participar deste evento. Mas, a quem está por perto, acredito que valerá a pena ter um fim de semana fora da rotina habitual, usufruindo das inúmeras palestras, actividades e oficinas que o programa oferece.


Aqui fica a descrição deste evento - o III Encontro Alternativas:


"O Encontro de Alternativas em Sintra é um encontro de artistas, terapeutas, conferencistas, animadores, associações de desenvolvimento humano, editores, agricultores biológicos, ambientalistas, entre outros, que através de diversas artes e sabedorias praticam uma forma criativa e alternativa de vida, partilhando o seu sentir e conhecimento com a Comunidade, contribuíndo assim para o bem-estar e desenvolvimento das populações"



Veja aqui a programação:



Conheça mais em:

22/04/2008

Arte que se lê: "On the Road" de Jack Kerouak


Há tanto para dizer sobre os anos 50. Os americanos anos 50. Contudo, não poderei falar de tudo, tal exigiria, no minímo, um blog sobre este tema.

No entanto, existem referências que não posso deixar passar. Uma delas é Jack Kerouac. E, tendo em vista que o 25 de Abril está à porta, não poderia deixar passar um autor que iniciou ele próprio uma revolução.


"Hoje vou falar de Jack Kerouac, para mim um dos maiores e mais sensíveis escritores de seu tempo. Vou falar de revolução cultural. Revolução! Uma revolução cultural que ficou conhecida como a Geração Beat.


Em 1957, Jack Kerouac publicava On The Road e iniciava uma revolução cultural nos Estados Unidos. Este livro tornou-se o manifesto da geração beat, que rompia com o compromisso do american Way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Diante de uma sociedade que aniquilava o indivíduo, os beatniks queriam uma consciência nova, libertada de padrões, escolhiam a marginalidade. (Trecho O Autor e sua Obra)


Não queriam continuar numa sociedade morna, desprovida de vida, de ação e liberdade de pensar e viver.

Apesar das experiências com o êxtase através das drogas, na minha opinião é apenas um detalhe dada a importância desta revolução, a geração beat marcou nova era no mundo cultural. O homem tem direitos de indivíduo e o mais sagrado é, possivelmente o de mudar o Status Quo. Perceber que pode repensar as coisas e, diga-se de passagem, estamos falando de uma revolução artística - Literatura essencialmente…


Por intermédio de Burroughs, Kerouac tomou contato com escritores como Kafka, Céline, Spengler e Wilhelm Reich. Os três amigos passaram a conviver com as barras pesadas do Times Square.
Descendente de uma família de franco-canadenses, Jack Kerouac recebeu uma educação católica e graças às suas aptidões de atleta foi estudar na Universidade de Colúmbia. Lá no Campus, conheceu Allen Ginsberg, também estudante e William Burroughs, formado em Harvard. Os três iriam se tornar os principais representantes da geração beat.
Em 1947 Kerouac resolveu sair viajando pelo mundo e pegou a estrada. Associou-se com vagabundos, caroneiros, e bebeu muito por aí. Terminou o On The Road em 1951. Seu estilo é notável e inconfundível, com suas longas frases, onde descartava o uso da pontuação.
Mas sempre foi um individualista. Terminou dividindo um apartamento com sua mãe, onde pintava quadros com Cristos tristes, ficava horas a fio diante da televisão. Ou seja, era, no fundo um espírito conservador e não entendia como influenciara pessoas como Allen Ginsberg (poeta)!
Considerado um rebelde existencial, quedou-se ao budismo mas foi sempre um inadaptado ao mundo em que vivemos.
Escreveu vários romances, como “O Subterrâneo”, Desolate Angels”, “The town and the city”, entre outros.
Se alguém estiver se perguntando o que a geração beatnik tem a ver com os dias de hoje, eu poderia responder, de pronto, que tudo que somos e fomos depois desta revolução, tem a ver com a abertura literária no campo das experiências, da pós modernidade, da noção de liberdade de pensamento e principalmente, tem a ver com a felicidade de fazermos parte de uma cadeia de pensadores e escritores que nos deixaram um legado inestimável.


Trechos de On The Road
Casualmente, uma gostosíssima garota do Colorado bateu aquele shake pra mim; ela era toda sorrisos também; eu me senti gratificado, aquilo me refez dos excessos da noite passada. Disse a mim mesmo: Uau! Denver deve ser ótima. Retornei à estrada calorenta e zarpei num carro novo em folha, dirigido por um jovem executivo de Denver, um cara de uns trinta e cinco anos. Ele ia a cento e vinte por hora. Eu formigava inteiro; contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Estes, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira; aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: “Uau!”… "





Sobre o autor:


"Jack Kerouac (12 de Março de 1922, Lowell - Massachusetts - 21 de Outubro de 1969, St. Petersburg - Flórida), foi um escritor estadunidense.


Infância e juventude

Kerouac, de origem franco-canadense, teve uma infância séria, onde era muito dedicado à mãe. Freqüentou um colégio jesuíta e ajudou o pai numa fábrica de impressão. Um de seus traumas mais trágicos, que voltaria relatado em seus romances, foi a morte de seu irmão Gerard quando ele tinha apenas nove anos.
Devido às dificuldades econômicas por que passava a família, Jack resolveu fazer parte do time de futebol americano do colégio para tentar uma bolsa de estudo na faculdade. Assim conseguindo entrar na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para onde mudou-se com a família.
Antes de pegar o diploma, abandonou os estudos após uma briga com o treinador e resolveu alistar-se na Marinha. De acordo com o biógrafo Yves Buin, autor de Kerouac (L&M Pocket, outono de 2007, p. 61), Jack assumiu certa vez haver feito felação num marinheiro.
Não se ajustando à marinha de guerra, acabou na marinha mercante, onde ficou algum tempo. Quando não estava viajando, Jack andava por Nova Iorque acompanhado de seus amigos "delinqüentes" da Universidade de Columbia, entre eles Allen Ginsberg e William Burroughs, chamado de Bill pelos camaradas, além de seu maior companheiro de viagens, Neal Cassady, o “Cowboy”. Foi a época em que Jack conheceu os grandes amigos que formariam, alguns anos mais tarde, o pelotão de frente da geração beat, para desgosto da mãe.


As grandes viagens e escritos

A relação do escritor com Neal foi determinante para despertar em Jack sua vontade reprimida de botar o pé na estrada e desfrutar de uma liberdade ainda não experimentada. Os dois viajaram por sete anos percorrendo a rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Saíram de Nova York e cruzaram o país em direção a São Francisco. Dessa jornada saiu o livro “On the Road”, cujo protagonista é Dean Moriarty, o nome criado por Jack para representar o amigo Neal.
Kerouac começou a escrever um romance, falando sobre os tormentos que sofria para equilibrar a vida selvagem da cidade com os seus valores do velho mundo. Foi o seu primeiro romance publicado, porém não chegou a lhe trazer fama. Passaria muito tempo para que ele publicasse novamente. Na tentativa de escrever sobre as surpreendentes viagens que vinha fazendo com o amigo de Columbia, Neal Cassady, Kerouac experimentou formas mais livres e espontâneas de escrever, contando as suas viagens exatamente como elas tinham acontecido, sem parar para pensar ou formular frases. O manuscrito resultante sofreria 7 anos de rejeição até ser publicado. Jack escrevia vários romances, que ia guardando em sua mochila, enquanto vagava de um lado a outro do país. Escreveu Tristessa obra sobre uma viciada em morfina que vive na cidade do mexico... É um romance triste, cheio de ensinamentos budistas ,repleto de compaixão pelo sofrimento humano.
No verão de 1953 Jack Kerouac envolveu-se com uma moça negra, experiência que usou para escrever em 1958 "Os subterrâneos". Escrito em três dias e três noites, Os subterrâneos foi gerado a partir do mesmo tipo de rompante inspiracional que produziu o grande clássico de Kerouac, On the road (traduzido no Brasil no verão de 2007 como Pé na estrada, por Eduardo Bueno) Em 1955 Kerouac apaixonou-se por uma prostituta indígena chamada Esperanza.
Foi publicado pela primeira vez en 1960 e baseado em fatos biograficos.


O método de escrever inovador

Jack Kerouac escreveu sua obra-prima “On The Road”, livro que seria consagrado mais tarde como a “bíblia hippie”, em apenas três semanas. O fôlego narrativo alucinante do escritor impressionou bastante seus editores. Jack usava uma máquina de escrever e uma série de grandes folhas de papel manteiga, que cortou para servirem na máquina e juntou com fita para não ter de trocar de folha a todo momento. Redigia de forma ininterrupta, invariavelmente sem a preocupação de cadenciar o fluxo de palavras com parágrafos.
O material bruto que chegou às mãos de Malcom Cowley, da editora Viking Press, em 1957, deu trabalho. Os rolos quilométricos de texto tiveram de ser revisados, foram inseridos pontos e vírgulas e praticamente 120 páginas do original foram eliminadas. O estilo-avalanche de Jack tinha ainda um elemento intensificador. Ao contrário às idéias correntes, que trabalhou em cima do livro sob o efeito de benzedrina, uma droga estimulante, Kerouac, em admissão própria, abasteceu seu trabalho com nada mais que café.




Sites:

17/04/2008

Arte que se vê: "Os homens preferem as louras" de Howard Hawks


Ocorreu-me que este filme faria uma ligação perfeita com o tópico anterior, sobre a publicidade dos anos 50. Marilyn Monroe e Jane Russel aparecem fabulosas neste clássico que faz sempre as delícias de quem vê. E, lá estão, os penteados perfeitos, a silhueta e os lábios muito vermelhos que para mim são a imagem perfeita dos anos 50 americanos.


Sinopse:

Duas dançarinas, Lorelei (Marilyn Monroe) e Dorothy (Jane Russell), embarcam num cruzeiro rumo a Paris, a pedido do milionário noivo de Lorelei. O pai do noivo contrata um detective (Elliott Reid) para seguí-las e conseguir provas de infidelidade de sua futura nora, criando uma série de confusões em alto-mar.


Veja o filme na totalidade aqui:













Ou relembre somente algumas das canções:

- "Diamond's are a girl's best friend" - http://www.youtube.com/watch?v=p0FDGnAIWpk

- "Two Little girls from Little Rock" - http://www.youtube.com/watch?v=CIxKWkEBrG4

Arte que se lê: "The Golden Age of Advertising" da Taschen


A área profissional que escolhi na altura de optar por um curso, foi a Publicidade. Aí está a explicação lógica para a minha escolha do livro de hoje.

Enquanto consumidores e, consequentemente, alvos da publicidade, esta pode ser aborrecida, inconveniente, pecar pelo excesso. Mas, como observadores, (e é este o aspecto que mais me atrai na publicidade), é que os anúncios podem ser verdadeiras obras de arte para além de documentos históricos.

"The Golden Age of Advertising" é uma colecção da editora Taschen. Em cada volume retrata uma década. Tenho comigo o volume referente aos anos 50 e folhear as suas páginas é viajar no tempo e no espaço, para os anos 50 da classe média suburbana dos Estados Unidos.


O mesmo começa com uma introdução, da qual apresento aqui um excerto traduzido:

" A bomba atómica mudou tudo. Em 1950, os americanos começariam a aperceber-se lentamente das transformações que afectavam a sociedade. Apesar das vitórias obtidas na II Guerra Mundial e do pós-guerra ser um período próspero marcado por um imenso consumismo, o poder atómico trouxe, a muitos americanos, dúvidas sobre o que o futuro traria.

No final do Verão de 1949, a explosão de uma bomba atómica russa veio confirmar que os americanos não eram os únicos a possuir o aparelho nuclear mais poderoso do mundo. A isto, os americanos responderam de diversas formas. Uns adquiriram contadores Geiger e foram em busca de urânio. Outros escavaram abrigos nos seus quintais onde se pudessem proteger de um ataque nuclear. Independentemente destas acções, para a maior parte dos americanos, o advento da bomba significou acima de tudo o fim da era da inocência e um tempo para comprar, comprar, comprar.

O início da década de 50 foi testemunha da continuação de um sentimento de paranoia que acompanhou a posse de armamento nuclear. O governo americano, numa tentativa de se manter um passo à frente dos russos, iniciou uma corrida ao armamento. Se os "comunistas" tivessem uma bomba atómica, era então imperativo que a América possuísse uma ainda mais poderosa. O resultado foi a chamada "H-Bomb" e trouxe aos E.U.A. a tão desejada vantagem estratégica.

Esta corrida para criar o maior poder nuclear do mundo na era atómica provocou consequentemente o crescimento tecnológico de outras indústrias. Num instante os textos dos anúncios usavam comummente termos como "era dos jactos" ou "era espacial". Uma nova categoria publicitária relacionada com a Guerra Fria emergiu. Os tanques e os jipes da II Guerra Mundial eram agora substituídos por submarinos nucleares e mísseis.

Foi nesta atmosfera que Madison Avenue, na tentativa de encontrar uma conotação positiva para o átomo e o "dia de juízo final", acolheu o poder nuclear e adaptou-o à publicidade. O "átomo pacífico" trabalhava agora a favor dos americanos. Num espectacular anúncio, uma núvem cogumelo é acompanhada do seguinte slogan - "Even this cloud has a silver lining".

Os publicitários apropriaram-se dos foguetões e dos capacetes para vender cereais. Os designers de automóveis exageravam no uso de linhas finas na traseira dos veículos como forma de expressar este novo conceito de velocidade exagerada. E o público americano engoliu o conceito.

Completamente contrário ao que acontecera noutras décadas, em que a Depressão e a II Guerra Mundial obrigavam ao racionamento e à frugalidade, os consumidores americanos dos anos 50 experienciavam um fenómeno sem precedentes.

A geração nascida antes e durante a Depressão eram de uma faixa etária onde os seus ganhos lhes permitiam acumular o que se designaria de "pequenas fortunas". Isto, combinado com um declínio no número de indivíduos para partilharem esta riqueza gerada, uma nova e agressiva economia de consumo gerada pela indústria americana, criou o cenário de consumismo e indulgência onde os americanos se deleitariam durante os tempos futuros. Com um crescimento da taxa de produtividade de 2% em cada ano entre 1945 e 1955, os americanos compravam 75% dos automóveis e electrodomésticos do mundo. Embora a sombra de uma possível catástrofe nuclear estivesse sempre presente nas consciências, os publicitários continuaram a assaltar o público, o novo "mercado de massas", com produtos que eram sempre inovadores, melhores, mais rápidos. E, os americanos sentiam-se no direito de consumi-los. Num esforço para viver uma vida normal e produtiva depois de salvarem o mundo das forças do Eixo e da sua agressão, o público americano olhava para além dos dias da II Guerra Mundial e vislumbrava o futuro - e o futuro era uma visão maravilhosa. Pelo menos quando visto através da televisão, das revistas e dos anúncios."


by Jum Heimann, tradução livre por carica



Eu acho delicioso folhear este livro. Todas as senhoras com penteados perfeitos e sempre baton vermelho. A imagem de Liberace a promover uma cerveja. Rock Hudson e John Wayne em anúncios de tabaco, onde aparece explicitamente como "facto científico" que "o prazer melhora a disposição" e onde se apela às donas de casa que fumem para não se irritarem com as suas tarefas. Onde se vendem "casas para a era atómica" - casas totalmente de betão, resistentes a explosões. Os Cadillacs, Pontiacs, Chevrolets, Ramblers, Buicks, Lincolns com as linhas e as cores quase rebuçado tão características dos automóveis dos anos 50. Os electrodomésticos cor de rosa, os serviços de mesa em melanina, os produtos capilares para os homens - até Ronald Reagan apareceu num anúncio a brilhantina. Entre muitos, muitos mais.


Alguns slogans:


- Getting there is half the fun - Cunard (cruzeiros)

- Wear a hat - It´s as healthy as It's Handsome - Hat Corporation of America (chapéus)

- It's Thrifty... it's Smart and so Easy to ride - Harley-Davidson 125

- you'd never think they were paper - Keyes Royal Chi-net "Throw - away" plates (pratos descartáveis)

- Fabulous Federal Cookware! Fabulous Pink! Fabulous Prices! - Federal (trem de cozinha em enamel cor de rosa)

- For a lifetime of shooting buy a Winchester - Winchester (espingarda)

10/04/2008

Arte que se lê: "Bodhicaryavatara" ou "O Caminho para a Iluminação" de Shantideva


Hoje trago-vos o texto mais estudado e comentado da história do Budismo - "O Caminho para a Iluminação" ou "Bodhicaryavatara" de Shantideva.

Os livros são uma ferramenta maravilhosa, pois permitem-nos aceder a todo o tipo de informação e retirar-mos as nossas próprias conclusões sobre qualquer tema.

Por vezes não dou "ponto sem nó", como se costuma dizer. Tenho focado com alguma intensidade através da exposição aqui de produtos da expressão artística a questão do Tibete. Respeito a opinião de todos, mesmo as que divergem da minha, mas já que muitos são impedidos de se expressarem livremente, digo eu em seu nome e, em meu nome: Acredito no Tibete como nação livre e independente. Porque quando penso no planeta Terra como um todo, como a aldeia global como conceito que tantas vezes se gosta de sublinhar, penso na Amazónia como o seu pulmão e, o Tibete, o seu terceiro olho, a espiritualidade do Mundo, que há que preservar, intocado.


A Vida de Shantideva:

"Shantideva nasceu no século VII na antiga província da Saurastra, na Índia. O seu pai, Kalyanavarman, que era o rei dessa província, chamou-lhe Shantivarman, Armadura-de-Paz. Desde a sua mais tenra idade, o príncipe manifestou um profundo respeito pelos mestres espirituais e uma grande bondade pelos habitantes do reino, sobretudo pelos pobres e pelos doentes.

Um dia, encontrou um asceta que lhe ensinou a arte de meditar sobre Manjushri, o Buda do Conhecimento, e pouco tempo depois Manjushri apareceu-lhe numa visão e abençoou-o.

Quando o rei morreu, a corte preparou em grande pompa a sagração do príncipe erigindo um majestoso trono. Mas, na noite anterior à cerimónia, Manjushri apareceu ao príncipe em sonhos sentado nesse trono e disse-lhe: "Meu filho, este trono é o meu. Sou o teu Mestre Espiritual, não é conveniente que partilhemos o mesmo assento." O príncipe acordou e compreendeu que não deveria reinar. Renunciando aos faustos da corte, fugiu e entrou na ilustre universidade budista de Nalanda. Foi ordenado monge por Jayadeva, o principal dos quinhentos panditas, e recebeu o nome de Shantideva, Divindade-de-Paz.

Sem que ninguém se desse conta, estudou a Tripla Recolha, os ensinamentos de Buda, e assimilou perfeitamente o seu sentido pela meditação. Compôs então dois tratados: O Shiksamuccaya, ou o "Compêndio das Instruções", e o Sutrasamuccaya, ou o "Compêndio dos Sutras" nos quais expôs a essência do seu saber e da sua profunda realização.

No entanto, aos olhos dos seus companheiros ele não passava de um ignaro preguiçoso a quem chamavam "Bhusuku" (o que só sabe comer, dormir e fazer as suas necessidades). Todos achavam imoral alimentar esse parasita com as oferendas dos fiéis e decidiram fazer tudo para correr com ele.

Tendo-se posto de acordo, os monges proclamaram que cada um por sua vez devia pregar o Dharma. Pensaram assim que, para evitar ser humilhado, Bhusuku fugiria. Mas não só isso não aconteceu como, apesar da insistência dos seus colegas impacientes para o ridicularizar, ele recusou-se a pregar, argumentando com a sua ignorância. O caso foi levado ao abade, decidindo que o monge recalcitrante se submetesse à regra.

No grande átrio do templo preparam então um grande trono inusitadamente alto, disposeram um altar com numerosas oferendas e convocou-se a assembleia completa dos monges.

À hora prevista convidaram o "parolo" a sentar-se. De repente, sem que alguém se desse conta como, Shantideva estava sentado no cimo desse trono desmesurado. Alguns começaram a sentir-se pouco à vontade.

Shantideva perguntou: "Devo comentar um texto conhecido ou devo dar um ensinamento inédito?". Os panditas olharam-se, surpreendidos e trocistas, e responderam: "A vossa aptidão é dormir e as vossas outras maneiras são realmente extraordinárias; o melhor é manter essa vossa tradição específica: improvisai-nos um discurso." Então Shantideva expôs os Bodhicaryavatara, mais pequeno que o seu "Compêndio das Instruções" e mais detalhado que o seu "Compêndio dos Sutras".

Enquanto ensinava, a assistência, estupefacta, viu Manjushri majestosamente sentado no céu e concebeu uma grande fé. Quando Shantideva chegou a estes versos do nono capítulo:

"Quando nem a realidade nem a não-realidade deixam de se apresentar ao espírito, então, na ausência de qualquer outra atitude possível, o espírito liberto de conceitos tranquiliza-se"

elevou-se lentamente no céu com Manjushri, cada vez mais alto até se tornar invisível. No fim do Bodhicaryavatara só se ouvia a sua voz.

Os panditas, cuja memória tinha a reputação de infalível, imediatamente puseram o seu discurso por escrito. Mas uns encontraram-se com setecentas quadras, outros com mil e outros com mais ainda. A versão dos panditas do Kashmir tinha nove capítulos e setecentas quadras, a versão dos panditas do Magadha tinha dez capítulos e mil quadras. Levantou-se uma dúvida nos seus espíritos. No seu discurso, o Mestre tinha lido que lessem continuamente o "Compêndio das Instruções", ou então que se estudasse, como abreviado, o "Compêndio dos Sutras".

Ambos os textos eram desconhecidos de todos. Dois panditas de memória infalível decidiram procurar Shantideva. Depois de muitas buscas encontraram-no no sul da Índia, meditando junto a uma stupa. Explicaram-lhe então lentamente as razões da sua visita. Shantideva disse-lhes que a versão autêntica era a dos panditas de Magadha e que os dois compêndios estavam em Nalanda, nas traves do telhado da sua cela.

Encantados, voltaram a Nalanda e encontraram no lugar indicado os dois manuscritos, escritos na fina caligrafia dos panditas. De novo voltaram para junto do Mestre, que lhes explicou o sentido desses textos.

A existência extraordinária de Shantideva progrediu sempre. Percorreu a Índia realizando milagres, salvou milhares de pessoas da fome multiplicando o alimento, curou doentes e feridos, deu fé aos incrédulos e viveu como um perfeito Bodhisattva."


Algumas das quadras do Bodhicaryavatara:


"O desejo, o ódio e as demais paixões são inimigos sem mãos e sem pés, desprovidos de coragem e de inteligência; como é possível que me tenha tornado escravo deles?"


"Um simples voto para o bem do mundo vale mais do que adoração do Buda; quanto mais ainda se lhe juntarmos o esforço de propiciar a felicidade integral a todos os seres."


"Vezes sem conta o prazer e o desagrado foram para mim ocasião de mal agir. Como pude esquecer que um dia teria de abandonar tudo e partir?..."


"Durante a minha permanência neste mundo, muitos se foram, uns amigos, outros inimigos, mas o mal que cometi por causa deles continua sempre presente como uma ameça que não me larga."


"Devemos ver no corpo uma barca que vai e que vem. Que o corpo vá e venha segundo a tua vontade de conduzir os seres à sua finalidade."


"Assim, mestre de si, que o praticante esteja sempre sorridente, que evite franzir o sobrolho e mostrar-se zangado; que seja amigo de toda a gente".



leia a obra na totalidade aqui:


Imagem: Shantideva
Google